segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Descarte seletivo, a parte do povo


Você pode produzir, até 800 gramas de resíduos domésticos por dia, segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde. Sabe quanto cada pessoa, em média, está descartando? Perto de 1,200 quilo. 50% a mais são demais.
Quase metade disso são embalagens. Virou uma compulsão o hábito de carregar sacolas, caixas e pacotes. Por que levamos tanta coisa para casa, se vamos jogar fora assim que chegarmos?
E o pior é que jogamos este material fora misturado com restos de comida e outras coisas que desperdiçamos. Tudo com a maior naturalidade. E achamos ruim se alguém cair na besteira de comentar.
Este tipo de atitude é que nos classifica como país subdesenvolvido ou, para ter tolerância, um país em desenvolvimento. Povo culto economiza, reusa, doa, recicla.
O que tiver que ser descartado, tem que ser em sacos biodegradáveis, com plásticos, vidros, metais e materiais orgânicos embalados separadamente. Se não o fizermos, quem dará o exemplo para as crianças?
Pela nossa cultura ambiental estar, digamos, em fase embrionária, deixando difícil agir como se deve, podemos então separar o lixo em dois tipos antes de nos livrarmos dele: o seco e o úmido. Já ajuda bem.
O problema é mais grave nos grandes aglomerados de pessoas, como o que vivemos. Todos estão sabendo, ou deveriam. A maioria dos aterros sanitários encontra-se em fase terminal. Vai ficar cada vez mais caro se livrar do que não queremos.
Sem falar na postura ecologicamente correta, a vantagem de descartamos corretamente nossos resíduos é a de aumentar a vida útil destes aterros. Até que as usinas de transformação de lixo em energia estejam instaladas.
O poder público já tem que se responsabilizar pela parte mais complicada do caminho do lixo desde a hora em que é gerado até o seu destino final.
Os resíduos das indústrias e dos hospitais, os contaminantes, estão razoavelmente sob controle. O lixo eletrônico, que está aumentando muito, e o lixo verde, de madeiras e podas, algumas cidades já estão recolhendo.
Os RCC, restos da construção civil, são outro problema. O pessoal descarrega caminhões e caminhões em qualquer lugar. Numa cidade com100 mil habitantes, são perto de 100 toneladas por dia.
E os volumosos? Roupeiros, sofás, colchões, móveis. Curiosamente, os córregos e rios são os preferidos para recebê-los. Ou as esquinas. Não é interessante a comprovação da frase “Onde há gente, há lixo”?
As cooperativas de coleta de materiais recicláveis são ótimas parceiras dos querem assumir uma responsabilidade ecológica e social. A cidade limpa e trabalho digno para os catadores formam o binômio ideal. Precisam apenas de apoio.
Mas não podemos perder o foco de que é dentro da sagrada casa de cada um que as coisas começam. Lá geramos o lixo e é lá que damos o exemplo para os que sabem menos.
Uma coisa é certa: A medida da nossa educação está na forma que jogamos fora o que não queremos mais. PEDRO CAMPOS

(Foto: Trabalho artistico no Shopping Paulista, em 14 jul 2011)

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