sábado, 28 de janeiro de 2012

Não venha com sacolagem

Toda e qualquer ação que bloqueie o descarte de produtos industrializados na natureza é positiva. É indiscutível que as sacolas plásticas de supermercados são prejudiciais ao meio ambiente. Demoram mais de cem anos para desaparecer e muitos países já a aboliram.
Temos como alternativa as sacolas biodegradáveis, à base de amido de milho. Ocorre que estas também recebem plástico alterado em sua composição para, com determinada temperatura e umidade, se desfazerem em dois ou três anos. Mas estas micropartículas de plástico continuam no solo, como o outro, só que invisíveis. Em termos ambientais, qual a diferença?
Portanto, é discutível responsabilizar a sacola plástica por todos os males. Na Europa, os supermercados são obrigados a ter recipientes para o consumidor deixar todos os tipos de embalagens antes de sair com as suas compras.
Quer dizer, leva-se para casa quase a metade do volume, apenas o essencial. Aqui, 50% do que compramos são embalagens e, assim que chegamos, tiramos o que usaremos e jogamos tudo o mais no lixo, sem qualquer critério.
Cada cidadão põe para o lixeiro coletar 1.300k todo dia. O Brasil deverá produzir cerca de 180 mil toneladas diariamente, totalizando 80 milhões de toneladas de lixo doméstico em 2012.
Como é das regiões metropolitanas o maior volume, este lixo precisa ser levado cada vez mais para longe, tornando cada vez mais perigosa e cara esta operação. Qual a solução?
A legislação autoriza dispor em aterros sanitários. Mas não sabemos o que estamos deixando para as gerações futuras. Felizmente, outros países já resolveram este problema e poderemos buscar as respostas testadas e comprovadas ao longo dos anos. Mas este é um assunto para outro momento.
Com mais de 20 anos de atraso em relação à Europa e Ásia, está em vigor no Brasil a PNRS, Política Nacional de Resíduos Sólidos, através da Lei 12.305 de 2010. Entre muitas coisas, ela responsabiliza a todos os entes da cadeia dos resíduos, desde o importador ou fabricante, passando pelo comerciante, o consumidor e o município.
Todos têm obrigações para que as montanhas de lixo não sufoquem as cidades nas próximas décadas. Resta saber quando cada um fará a sua parte. E é melhor que seja agora. PEDRO CAMPOS

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